Diferenças Finitas. Porque a maioria erra ?

 

Você sabe o porquê ?

Diz um ditado americano, muito antigo: " quando está óbvio para a maioria, está obviamente errado ".

Coincidência ? Fatalidade ? Somos todos incompetentes ? Porque será ?

Quando o mercado cria o consenso de que vai subir, aí mesmo que ele cai.

Quando todos dizem: "não tem mais jeito " começa uma nova alta!

Quantos de nós ficamos humilhados, atropelados pelos acontecimentos completamente contrário às nossas expectativas.

Reestudamos nossas premissas, fazemos contas, comparamos resultados de balanços e dados técnicos e tudo mais que aprendemos nos livros e com os mestres do mercado; nada errado, tudo certo, mas assim mesmo os fatos e o mercado nos desmentem. Como explicar tamanho vexame ?

Vocês estão certos, mas são vítimas de uma enorme fatalidade que a matemática chama de Diferenças Finita.

Acompanhe a sequência dos fatos, assimilem as premissas e compreenderão a lógica do mercado. Desculpe-me se algumas considerações são óbvias, mas são necessárias enumera-las para dar corpo à explicação.

Para qualquer tamanho da população presente num dado mercado, ela é uma constante, no curto espaço de tempo que define um ciclo de alta ou baixa.

Podemos dividir os participantes do mercado em investidores de longo prazo, de médio e curto prazo, especuladores e operadores, não importa; importa sim constatar que cada grupo se compõe de um número finito de pessoas físicas e/ou jurídicas-institucionais. Chamemos de 100% o total de participantes possíveis para cada grupo.

Imaginemos, agora, que uma dada empresa "A" esteja largada no mercado, sem grande interesse de compra pelos operadores, especuladores, analistas, etc. Nestas condições o papel estará encarteirado em aproximadamente 100% do grupo de investidores de longo prazo.

Dado momento, um ou alguns poucos agentes de curto prazo do mercado descobrem uma virtude ou razão para começar o encarteiramento do papel.

Os fundamentos são fortes e justificáveis. Como todos somos humanos, estes operadores manterão sigilo do porquê de suas compras. Egoísmo? Prudência ? Técnica do tomada de posição ? Não importa, não vem ao caso. No primeiro momento o silêncio é de ouro, e assim será sempre.

Acontece que quando este grupo ( digamos os primeiros 1% ) atingir seus limites naturais de compra, quer por imposição legal ( situação de Fundos e Fundações ), quer por estouro de caixa, passarão a sua informação para os seus amigos mais próximos. Razões ? Todos sabemos. A compra seguinte do amigo não lhe afeta mais a tomada de posição e ainda ajuda a aumentar a acumulação, para uma futura alavancagem de alta.

Seguindo a sequência do processo, a empresa "A" começa a subir de preço, mantendo seus fundamentos de compra. Obviamente, todos os agentes de curto citados ficarão muitos satisfeitos e cada vez mais convencidos de que estão absolutamente certos. E estão.

Continua o processo de repasse da informação: agora já são 5%, 10%, 15% do número finito deste grupo.

Só que aí começa o problema que ninguém pensou: a diferença finita.

Enquanto a percentagem de participantes do grupo tomador sobe, os preços sobem, mas os potenciais compradores de mesma natureza caem.

( 100% - 50% = 50% , é claro ).

E’ isto mesmo o que acontece. Quando 50% do grupo estiver comprado, ou pouco menos, não vem ao caso, sua saída depende de saber se os restantes 50% estarão disposto a substituí-los. Se substituí-los, permanece o problema: sair em cima de quem? Do grupo de investidores de longo prazo ?

Acontece que este grupo, além de ser de maior peso participativo, certamente foi quem supriu as vendas anteriores, estimulados pela alta das cotações.

Mais ainda, a medida que os preços vão subindo, aumenta o interesse de venda e a pressão vendedora dos investidores de longo. Bolas, acontece que o investidor de longo prazo é "bobo"; ele estava comprado quando a empresa não valia grandes coisas, por não ter fundamentos ( que ele devia saber, mas não sabia ) e, por consequência, ele vende na alta, porque continua sem saber se esta tem fundamento. Neste ponto o bobo ganha, e muito, enquanto os estudiosos, analistas e operadores de curto prazo, mais

entendidos, é claro, perdem e perdem muito, sem entender bem o porquê.

O desagradável nisto tudo é que, no final da alta, quando todos os 50% dos entendidos estão comprados, estes fazem muito barulho, alardeando que o papel está muito barato. Mostram-se bastante solícitos e claros nas explicações e não são mais nem um pouco egoístas em falar tudo que sabem.

Segredo ? Porque segredo ?

O bom profissional tem mesmo é que dar boas e amplas explicações. O que mata é esta tal de diferença finita que, convenhamos, em matéria de informação caminha na frente.

Quando os 50% comprados alardeiam muito os fundamentos da alta, os 100% do público já sabem disso.

O LOBO não toma partido a favor de nenhum dos dois grupos .

O LOBO apenas observa e explica como ele vê as coisas.

Afinal de contas, para concluir, quando os preços recuarem novamente, os bobos dos investidores de longo prazo vão cometer a bobagem de comprar tudo de volta, outra vez.

Em compensação, os entendidos e estudiosos vão descobrir novos fundamentos nas empresas "B", "C", "D"...."Z".

Ainda bem que o jogo continua.

O detalhe a observar, se deu para entender, é que o processo é muito dinâmico; nem todo bobo é tão esperto assim, e nem todo esperto é tão bobo como parece.

No início do processo de alta, os investidores de longo que vendem, são bobos mesmo, ( salvo motivo de força maior ), enquanto que os descobridores do papel são "espadas" para se tirar o chapéu.

Espero ter confortado à maioria dos entendidos com a minha explicação.

Os 90 % dos investidores de longo prazo não erram nunca, porque não são motivados pelas oscilações do mercado para se mexerem.

De bobo e de esperto, todos nós temos um pouco.

 LOBO. Em 13/08/1998