Um Solução para o Solutivo

 

Este pequeno trabalho é um estudo curioso sobre métodos e suas consequências.

Vamos imaginar a existência de um balão ou bolsa que contenha uma capacidade volumétrica razoável. Este balão tem a propriedade de manter, no seu interior, um líquido soluto nunca inferior a um litro. Assim, se adicionarmos mais um, dois ou dez litros, estes se misturaram homogeneamente dentro do balão; porém, se quisermos retirar seu conteúdo, o volume recuperado será igual ao adicionado, permanecendo sempre o lastro de um litro.  Eventualmente, na hora de retirar o líquido, a válvula de saída pode emperrar.

Digamos, por exemplo, que dispomos de 4 litros de um solvente para misturarmos ao conteúdo do balão, com a finalidade de extrair o máximo do solutivo contido no lastro.

Para extração vamos proceder usando dois métodos, a seguir descritos:

1º método: adicionamos apenas um litro no balão e sacudimos por um bom tempo para homogeneizar. O volume total de líquido, no balão, será de dois litros, sendo de 50 % a concentração final do solutivo. Com calma, muita calma, retiramos o litro adicionado e obtemos recuperação de 50 % do solutivo contido na bolsa. Repetimos todo o processo com o segundo litro de solvente que dispomos. Assim conseguimos recuperar outros 50% dos 50% restantes; por consequência, o lastro da bolsa ficará reduzido a 25%. Ao usarmos o 3º litro de solvente, o lastro de um litro ficará com apenas 12,5% do solutivo ( metade de 25%). Finalmente gastamos o quarto e último litro de solvente e deixamos apenas 6,25% do solutivo no lastro. ( metade de 12,5%).

2 º método: por precipitação, afobação, ou pressa, adicionamos direto os quatro litros de solvente que dispomos no balão da bolsa. Ao recuperarmos o volume de 4 litros, verificamos que o lastro ficou ainda com 20% do solutivo. Simples a conta: 1 litro dissolvido em mais quatro dá 1/5 de concentração, isto é 20%.

CONCLUSÕES DA LIÇÃO

1 - Muita coisa que a primeira vista parece igual, não o é.

2 - A pressa é inimiga da perfeição.

3 - Os melhores métodos de se extrair "solutivos" da Bolsa são paulatinos.

4 - Nunca ponha todo o seu "líquido" na Bolsa, porque se a válvula de saída emperrar, você terá um problema      muito sério para resolver.

5 - A eficiência da extração depende muito do método usado.

6 - Certifique-se se a válvula de saída está há muito tempo sem emperrar.

7 - Lembre-se sempre que ninguém dá manutenção nesta válvula; se ela estiver a muito

tempo sem emperrar, os riscos serão maiores, visto ser muito usada, diariamente.

8 - Procure certificar se o lastro ainda contém "solutivo" para ser extraído; caso não, evite

perda de tempo trabalhando para recuperar, no máximo, o solvente que já era seu.

9 - Cuidado, as vezes nem lastro existe mais e seu "liquido" será retido.

10 - Socorro!!! Furaram o tanque do lastro....

 

LOBO,  em 06/08/1998