Anões do Mercado

 

Primeiro Tempo

 Havia um grandalhão parrudo que era tarado por anões.

Desfilava pelo calçadão da Av. Atlântica quando deparou-se com dado um anão.

Deu-lhe uma gravata e o arrastou para um canto escuro.

O coitado do anão chorava copiosamente.

 

Por que choras tanto seu desgraçado?, perguntou o parrudo.

 

Porque você me desonrou, você acabou com a minha reputação, respondeu o anão.

 

Não seja por isso, seu anão. Se esse é o problema eu o autorizo a dizer, por aí, que foi você que me pegou, disse o parrudo.

 

Segundo Tempo

Seis meses depois do ocorrido, dois anões passeavam pelo calçadão da

Av. Atlântica.

Então um anão virou-se para o outro e perguntou:

 

Essa história veio à baila por causa dos chamados micos de Bolsa.

É comum, em toda alta, mais precisamente no final de todo movimento forte de alta, aparecerem muitos "espertos", que não passam de anões de mercado, falando e recomendando a compra dos micos de Bolsa.

Mas o que de fato ocorre é que esses anões apenas estão fugindo, em correria, até que novamente apareça um parrudo para desovar mais um pouco da sua monstruosa posição, justamente em cima de novos anões do mercado.

Mas nem sempre os anões da safra anterior se aproveitam para sair de suas posições.

Alguns, pelo contrário, até compram mais, peitando o parrudo, no sonho de que dessa vez eles levem a melhor.

Não levam.

Os micos do mercado não têm essa reputação a toa não.

Os micos do mercado são constituídos de empresas que já estão completamente desestruturadas, quer por péssima administração empresarial, quer por excesso de endividamento, o que lhes deixam em condição pré-falimentar, quer por seu processo produtivo já estar obsoleto e anti-econômico, ou até mesmo por produzir produtos que atingiram a obsolescência tecnológica, caminhando seu mercado para extinção.

Fujam e corram dos micos de mercado.

No compra e vende, só porque de hoje para amanhã eles estão subindo, de repente, muito repentinamente, eles ficarão em suas mãos por mais um ano, pelo menos, caso não sejam retirados dos pregões definitivamente.

LOBO (diretamente de sua Toca) Em, 26 de julho de 1999.